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19.12.17

O TEMPO QUE ME RESTA É O TEMPO QUE NÃO PARA.

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Pois é, parece que foi um dia desses que o ano começava e já estamos nos preparando para as festas de final de ano. E o aniversário, a comemoração tá começando a ficar sem graça, ironicamente parece que não tivemos muito tempo para viver ano anterior. Afinal de contas, o que está acontecendo com o tempo? Por que temos a sensação que ele passa tão rapidamente? Será que apenas os mais velhos sentem isso?

Quando éramos jovens, não víamos a hora de ter 18 anos, por diversas razões próprias de quem naquela época sofria restrições sociais devido à idade, entretanto o tempo não passava, um ano era uma eternidade. Na escola então, que horror era esperar a sineta(campainha) tocar, seja para o recreio, seja para indicar o final da aula. Tudo isso nos levava a sensação que o tempo, diferente de hoje era mais demorado. Mas então, onde está explicação para isso tudo?

Há várias hipóteses para o fenômeno, a mais aceita indica que essa sensação está relacionada à quantidade de informações e experiências a que estamos sujeitos e submetidos atualmente. Quando experimentamos alguma coisa pela primeira vez, mais dados são armazenados em nossa memória, pois tudo é novidade.

Um exemplo prático podemos constatar quando vamos a algum lugar pela primeira vez e não sabemos o caminho, certamente sem utilizar os recursos tecnológicos de hoje em dia, vamos ter uma dificuldade de encontrar o lugar, tendo que observar as placas de sinalização e indicações, paisagem do itinerário, além é claro de conduzir o carro com pouca velocidade para não errar a entrada. Todo esse procedimento de conhecer o caminho vai demandar em uso do tempo.

Quando voltarmos ao lugar em outra oportunidade, já conhecendo a rota teremos a sensação que ela encurtou. O mesmo vale para a nossa vida em geral – uma vez que muitas experiências são repetições do que já vivemos antes.

Tudo isso tem a ver com a nossa percepção do tempo: segundo teorias psicológicas recentes, a grande responsável pela aceleração de nossas vidas tem um nome – rotina.
A memória humana não funciona como um computador, que salva cada informação. No nosso caso, a memória é socialmente construída, nem tudo é guardado e, mesmo as coisas que mantemos, frequentemente não são fáceis de serem acessadas. Na maioria das vezes, o que fica gravado de um jeito mais forte nas nossas lembranças são as primeiras experiências que temos de alguma situação, aqueles momentos marcantes, intensos, inusitados e novos que parecem fazer com que a hora passe mais devagar.

E é justamente por isso que a rotina faz o tempo voar: quando a vida se resume a uma interminável repetição das mesmas experiências, não temos porquê guardar estas memórias de uma forma especial, e tudo parece passar por nós como um borrão. A mesma lógica explica o motivo pelo qual a infância segue o caminho oposto – o mundo era inteiro feito de novidades, por isso o ritmo das coisas era bem mais vagaroso.

E isso tudo tá apenas associados as pessoas mais velhas? Hoje em dia a resposta é não, entretanto os mais jovens sentem menos essa sensação do tempo acelerado. Para um jovem de 12 anos, como dissemos anteriormente, chegar aos 18 parece levar uma eternidade – afinal, esses anos de diferença correspondem a metade do tempo já vivido por ele (jovem).  Já para alguém que está na casa dos 60 anos, os mesmos seis anos representam apenas 10% de sua vida. Por isso, em geral a sensação de que o tempo está voando fica mais forte à medida que envelhecemos.

Por fim, há ainda quem afirme que, como vivemos num cotidiano cada vez mais acelerado, impulsionado pelos avanços tecnológicos, estaríamos nos distanciando de um suposto ritmo biológico natural, mais lento. Esse descompasso é que daria a impressão de que o tempo está passando mais depressa.

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